O NERVO – Observatório de Fotolivros Portugueses é uma plataforma online dedicada à criação, investigação e difusão do fotolivro de expressão portuguesa. Reúne uma biblioteca inclusiva de publicações editadas no século XXI e promove novas visualidades e práticas editoriais contemporâneas.
Dirigida por Ângela Ferreira e Rodrigo Peixoto, e desenvolvida por um coletivo de fotógrafos e investigadores, a plataforma constitui um observatório ativo do ecossistema dos fotolivros portugueses contemporâneos.
João Pina, fotógrafo e autor de livros fundamentais como Condor, 46750, Por Teu Livre Pensamento e Tarrafal, conversa com Ângela Ferreira sobre fotografia, memória e responsabilidade histórica. Da urgência em documentar o fascismo português ao mergulho nas feridas coloniais, Pina fala da herança familiar, da ética do olhar e do livro como espaço de resistência e permanência.
Rodrigo Peixoto conversa com Rui Luís, fundador e força motriz das Ideias no Escuro – Edições, sobre os arquivos como matéria-prima da criação editorial. A conversa percorre o universo do colecionismo, das feiras de fotolivros e das práticas de edição que nascem de restrições autoimpostas. Entre a experimentação e o rigor, Rui Luís revela uma visão singular sobre o livro como espaço de invenção e ensaio visual.
Carlos Lobo — fotógrafo, músico e editor fundador da LeBop Books — conversa com Ângela Ferreira sobre o livro como lugar onde os seus projetos se resolvem: um fecho que abre novos começos. Fala do processo entre exposição e edição, da trilogia do Oriente (China, Japão, Coreia do Norte) e do mais recente I Would Run This Way Forever and Ever Again, onde a intimidade familiar estrutura a sequência.
António Júlio Duarte, um dos mais importantes e prolíficos autores da fotografia portuguesa contemporânea, conversa com Rodrigo Peixoto sobre o tempo, a evolução e o processo de criação dos seus fotolivros. O episódio percorre o seu método de trabalho, a relação entre imagem e sequência, e o papel do livro como espaço de experimentação e pensamento.
Dedicamos este episódio à artista multidisciplinar Susana Paiva, que nos conduz por uma viagem onde fotografia experimental, quimigramas e poesia se entrelaçam num verdadeiro laboratório de ideias. A conversa guiada por Ângela Ferreira aborda o Photobook Club como incubadora de comunidades criativas e o livro enquanto guardião de memórias.
No 6.º episódio, recebemos Paulo Martins, fundador da Fundação Arte Deste Século, instituição responsável pelo importante Prémio Arte Deste Século para Edição de Fotolivros. Em conversa com Rodrigo Peixoto reflete sobre o papel do prémio na valorização da edição independente e no impulso dado a novos autores.
A artista Manuela Marques reflete sobre o fotolivro como território expandido de criação e pensamento. Desde a capital mais efervescente da fotografia, nos Rencontres d'Arles, em França, a conversa conduzida por Ângela Ferreira percorre a fusão entre natureza e perceção, onde o ato de contemplar se transforma em gesto crítico e poético.
Bruno Pelletier Sequeira fala sobre os processos de criação de fotolivros em contexto de ensino e experimentação no Atelier de Lisboa, escola de fotografia fundada em 2006 que integra a edição de autor no centro da sua pedagogia. Em conversa com Rodrigo Peixoto, reflete sobre a aprendizagem do fotolivro como prática crítica e artesanal.
Susana Lourenço Marques, curadora, editora e co-fundadora da Pierrot Le Fou, conversa com Ângela Ferreira sobre o ato de edição, as escolhas editoriais e a vontade de editar. A conversa percorre a coleção em fascículos F e outras edições da editora, onde o livro se afirma como espaço de criação, pensamento e resistência.
André Príncipe — fotógrafo, cineasta, editor e co-fundador da Pierre von Kleist — fala sobre o processo de criação e a importância da mise en page como forma de pensamento visual. A conversa conduzida por Rodrigo Peixoto percorre o território híbrido entre cinema e fotografia, onde o ritmo e o acaso moldam a narrativa do livro.
Artista, investigadora e professora na Universidade Lusófona, Soraya Vasconcelos revisita as referências de infância e as atuações atuais que moldam o seu olhar sobre a narrativa visual. Em conversa com Ângela Ferreira, reflete sobre o projeto coletivo que ambas desenvolvem em torno das fotonovelas e sobre o modo como investigação, ensino e prática artística se entrelaçam na construção de histórias visuais. Entre o livro e a sala de aula, afirmam o projeto como um espaço de experimentação crítica, onde a imagem pensa, narra e transforma.
Fotógrafo, editor e co-fundador da XYZ Books, Pedro Guimarães conversa com Diogo Bento sobre o percurso da editora e a importância da colaboração como prática de criação e pensamento. A partir da sua formação e do caminho construído pela XYZ, reflete sobre os projetos desenvolvidos, as opções editoriais, os processos de edição e as estratégias de financiamento que sustentam uma produção independente. O diálogo revela uma visão que combina método e experimentação, onde cada livro é expressão de identidade coletiva e gesto crítico de resistência cultural.
Investigador e ensaísta José Bértolo conversa com Ângela Ferreira sobre o seu percurso até aos fotolivros e sobre o modo como estes se tornaram lugar de pensamento e descoberta. O diálogo percorre o seu interesse pelo Japão, a relação entre imagem e matéria e o cruzamento entre fotografia e cinema como territórios complementares de reflexão. A partir da investigação académica e da prática curatorial, Bértolo propõe uma leitura sensível e crítica do fotolivro — como objeto vivo, relacional e transformador.
Editor e co-fundador da GHOST, David-Alexandre Guéniot conversa com Rodrigo Peixoto sobre o percurso da editora e o trabalho colaborativo com Patrícia Almeida. A conversa reflete sobre o livro e a edição como espaços de encontro, criação e gesto performativo. Entre a prática editorial e a performance, Guéniot afirma o livro como um corpo em ação — um ato vivo que convoca tempo, leitura e presença, expandindo as fronteiras entre obra, processo e comunidade.
A fotógrafa Pauliana Valente Pimentel conversa com Ângela Ferreira sobre o seu percurso pessoal e artístico, marcado pela vontade de contar histórias que emergem das periferias e das comunidades invisibilizadas. A conversa revisita a experiência formativa no coletivo Kamera Photo e aborda projetos como Diário da República e Quel Pedra, onde a artista explora questões de identidade, pertença e feminismo. Entre o documental e o poético, Pauliana afirma a fotografia e o livro como espaços de resistência e emancipação, onde o olhar feminista se torna gesto político, crítico e transformador.
O fotógrafo Eduardo Sousa Ribeiro conversa com Rodrigo Peixoto sobre o processo de criação e a importância das maquetes como espaços de experimentação e pensamento visual. A conversa percorre o modo como inicia a fotografia já a pensar o livro, entendendo a edição como parte integrante do próprio ato de ver. Reflete ainda sobre a continuidade do trabalho e sobre o livro como processo em permanente construção — um objeto acessível, aberto e livre, onde cada sequência se afirma como forma de descoberta e liberdade.
Pedro dos Reis, fotógrafo e editor, conversa com Ângela Ferreira sobre a Lisbon Photobook Fair — evento que, desde 2014, tem afirmado Lisboa como ponto de encontro entre autores, editoras e leitores de fotolivros. A conversa percorre a génese e o desenvolvimento da feira, sublinhando a importância de criar uma comunidade em torno da edição independente e do livro como espaço de diálogo e partilha. Entre o rigor da organização e a espontaneidade dos encontros, a Lisbon Photobook Fair afirma-se como espaço de liberdade e celebração do fotolivro contemporâneo.
A Hélice — Fotógrafos Que Usam a Fotografia — é um coletivo formado por Duarte Amaral Netto, João Paulo Serafim, Rodrigo Tavarela Peixoto e Valter Ventura. Em conversa com Ângela Ferreira, refletem sobre o percurso do grupo e os projetos que têm desenvolvido, como a revista Propeller, o Spectrum e as edições da helice_press. Entre o pensamento e a prática, discutem o valor do coletivo na fotografia contemporânea e a importância da colaboração como espaço de criação, partilha e construção de comunidade.
Leo Wen, fundador da Base de Dados de Livros de Fotografia no Brasil, conversa com Ângela Ferreira sobre esta plataforma que surge no contexto que inspirou e apoiou o NERVO, ampliando o diálogo entre práticas editoriais de língua portuguesa. A conversa reflete sobre o papel de um repositório dedicado à memória e à pesquisa dos fotolivros, que permite conhecer e explorar acervos para além dos sites de editoras ou bibliotecas. Entre arquivo e rede, Leo Wen destaca o livro como campo de conhecimento e a base de dados como ferramenta de partilha, investigação e construção de comunidade.
Moritz Neumüller, um dos grandes impulsionadores da exposição O Fenómeno do Photobook em Espanha, conversa com Ângela Ferreira sobre a história e as transformações do fotolivro enquanto meio de pensamento visual. A conversa percorre a relação entre texto e imagem, os modos de circulação e as mutações trazidas pela era digital. Entre o impresso e o virtual, Neumüller reflete sobre o fotolivro como espaço expandido de experimentação e ferramenta crítica na construção da história da fotografia. O diálogo propõe o livro como interface onde tecnologia, linguagem e memória se cruzam para repensar a imagem.